A FESTA DA GALINHA
Autor: Abdias Campos
Folhetaria Campos de Versos
(cordel infantil)

Esta história engraçada
Eu vou contar pra vocês
Aconteceu numa festa
De uma galinha pedrês
Que queria festejar
O aniversário que fez

Convidou a bicharada
De todo lugar pra festa
Os bichos domesticados
Os animais da floresta
Pois festa desanimada
Esta galinha detesta

Convidou o elefante
O galinho garnisé,
O papagaio, a formiga
Periquito, chimpanzé
Camelo, cachorro, cabra
Abelha, pato, guiné

Tigre, bode, boi, cavalo
Raposa, gato, faisão
Marreco, ganso, avestruz
Cobra jibóia, leão
Pomba, jumento, codorna
Juriti, pulga, pavão

Urso polar, capivara
Leopardo, onça, carneiro
Crocodilo, urubú rei
Sagüi, veado galheiro
Pois nesta festa se via
Animais do mundo inteiro

Para cada convidado
Esta galinha entregou
Um regulamento que
Ela mesma aprontou
Pra não haver confusão
Muito claro ela deixou:

“Abelha, pulga, formiga
Não poderiam picar
A nenhum dos animais
Que se encontrassem lá
E a jibóia nada de
Nenhum bichinho abraçar

O leão, o crocodilo
O tigre, a onça e os demais
Que gostam de carne fresca
Nada desses animais
Que ali foram convidados
Para a festa e nada mais”

Com este regulamento
Para a casa da galinha
Foram os bichos chamados
Domingo de manhãzinha
E ao nascer do Sol
Se via bicho que vinha

A primeira convidada
Já estava no terreiro
Quando a galinha desceu
De cima do seu poleiro
Deu de cara com a raposa
Para os parabéns primeiro:

- Parabéns minha galinha!
A raposa assim falou
A galinha respondeu
- Minha, nada, por favor
Respeite o regulamento
Você não leu? Perguntou

E a raposa disse: eu li
- Mas você tá tão gordinha
Bem que podia deixar
Eu dar uma mordidinha
- Eu vou chamar o cachorro
Respondeu braba a galinha

- Tá bom, eu só tô brincando
- Nem quer ser minha amiguinha!
Continuou insistindo
Pra convencer a galinha
Mas depois se retirou
Vendo que o cachorro vinha

O leão desconfiado
A sua juba sacode
Chamando para brincar
De pega-pega com o bode
Mas o bode respondeu
Que nesta festa não pode

Uma fábula em cordel bem humorada que deixa a lição, principalmente para as crianças arrodeadas pelo crime e pela prostituição infantil, que não há união possível entre a luz e a escuridão, entre o feroz faminto e o manso indefeso. Que há sim, diferentes propósitos que não se harmonizam entre si, numa mesma idéia de felicidade e paz e que devemos escolher nossos pares para que vivamos o bem que desejamos pra nós, sabendo que a escolha errada trará conseqüências desastrosas à vida.